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30/12/08

Views 3 | Moledo on December 2008









Autoria: Daniel Rosa
Data: Dezembro/2008

19/09/08

Capela Privada de Santana (Santa Ana)

Capela de Santa Ana
Capela de Santa Ana
Capela de Santa Ana
A Capela de Santana, ou Santa Ana, pode ser encontrada à entrada da povoação acedendo pela, vulgarmente designada, «Estrada Velha» desde Vila Praia de Âncora. O templo privado, datado de 1865, como se pode observar pela inscrição em numeração romana que coroa o portal, foi mandado erigir por António Manuel Alves Casal da Cruz.

The Santana Chapel, or Santa Ana, can be found at the entrance of Moledo do Minho. The private temple, dated of 1865, like we can note in the roman numbers upside de main entrande, was ordered by António Manuel Alves Casal da Cruz.

Exteriormente, podemos observar o corpo central, um outro volume anexo, do lado Norte, correspondente à sacristia, e a cerca que rodeia toda a capela, construída em 1936. O templo segue as linhas neoclássicas, pela rigidez e austeridade das suas formas mas também pelos elementos decorativos próprios deste estilo: as urnas que encimam, lateralmente, a frontaria. Porém, ainda se denota um gosto barroco e inclusive «rocaille» em algumas das suas formas: os suaves e delicados segmentos de frontão que encimam o portal principal, bem como o vão de iluminação, na continuidade vertical, que mais se assemelha a um nicho com colunas salientes e rematado em frontão curvo, proporcionam à fachada um dinamismo e movimento ao gosto barroco.

Outside, we can note a small volume, annexed at the North side of the chapel, corresponding to the sacristy, and a wall surrounding all the area built in 1936. The temple follows the neoclassic style by the rigidity and austerity of his shapes or the tipical decorative elements: the polls that crown, laterally, the chapel. By the other hand, we find already baroque and rocaille elements in the delicate segments of fronton that crown the main entrance or in shapes of the very dinamic center windown, that offers to the architecture a splenderous sense of movement.

Interiormente possui um coro, sendo o tecto estucado e adornado com pinturas de temática religiosa. Podem ainda ser observados dois altares, que ladeiam o altar-mor. O do lado Norte representa o nascimento de São João Baptista, acompanhado de seus pais, São Zacarias e Santa Isabel. Encontramos ainda representados São Joaquim e Nossa Senhora, «alumiados» pelo Anjo da Anunciação, surgindo por cima Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora das Preces.

Inside we can notice a relevant chorus and the roof, heeled with religious thematic paintures. Note yet the two lateral altars: at North one, the representation of the birth of Saint John the Baptist, follow by his parents, Saint Zacarias and Saint Isabel. Can be found too the representations of Saint Joaquim and the Virgin Mary, lighted by the Angel of the Annunciation, appearing, on top, the image of Nossa Senhora do Carmo and Nossa Senhora das Preces.

Nota: A imagem de Nossa Senhora das Preces, presente no altar lateral Norte, é proveniente da desaparecida capela com a mesma invocação, existente junto do ribeiro com o mesmo nome, sendo, segundo rezam as crónicas, uma capela de pequenas dimensões. Terá sido demolida em 1875 para se proceder à construção da linha férrea que atravessa a aldeia.

Note: The image of Nossa Senhora das Preces, located on the lateral altar, belonged to the missing chapel with the same invocation, that existed near the place with the same name, was demolished in 1875 to proceed the construction of the railway that cross the town.

De destacar também o altar-mor onde podemos observar, ao centro, a imagem de Santa Ana com a Virgem - ladeiam esta imaginária Santo António e São Joaquim, do lado direito, e São Francisco e São Bento, do lado esquerdo. No corpo da capela é igualmente passível de menção o quadro que representa as almas no purgatório, restituído da sacristia pelo antigo presidente da Junta da Freguesia de Moledo do Minho, Manuel Busquets de Aguilar.

Note yet the main altar where we can observ, at the center, the image of Santa Ana with the Virgin Mary - laterally are the images of Saint António and Saint Joaquim, on the right side, and Saint Francisco and Saint Bento, on the left side. Relevance to the painture inside the temple that represents the souls at the purgatory.

Texto e Fotografias: Daniel Rosa (2008)
Tradução: Margarida Micaelo e Daniel Rosa

15/09/08

Capela Privada da Trindade

Capela Privada da Trindade
Capela Privada da Trindade
Capela Privada da Trindade
A capela foi erigida em 1873 a pedido do Padre José Alves Casal da Cruz, irmão de António Alves Casal da Cruz que, por seu lado, edificou a Capela de Santa Ana (ou Santana), as Alminhas de Santo Isidoro e as Alminhas do Camarido, pertencentes, estas últimas, à freguesia de Cristelo.

The chapel was built in 1873 requested by Priest José Alves Casal da Cruz, brother of António Alves Casal da Cruz who built Santa Ana Chapel, Alminhas de Santo Isidoro and Alminhas do Camarido, the last ones belonging to Cristelo parish.

O templo foi erigido no mesmo local onde, outrora, existia uma ermida dedicada ao Senhor do Socorro, cuja imagem se encontra, actualmente, no retábulo colateral da capela.

The temple was built in the same place where, once, existed a small chapel in honour of Senhor do Socorro, whos image is, actually, on the chapel colateral alterpiece.

Fundada em 1873, como se constata pela inscrição sobre o seu portal, evidencia um gosto rococó, pelos jogos de linhas sinuosas contracurvadas do seu frontão interrompido ou pela bela janela polilobada que, verticalmente, produz um efeito de faustoso mas, ao mesmo, de singelo requinte. Porém, o aroma neoclássico - por então em afirmação - marca a sua presença na rigidez estrutural e em alguns elementos decorativos, puramente característicos, como as urnas, que ornamentam os eixos verticais superiores da frontaria.

Founded in 1873, has we can see in the inscription above the main entrance, show us a rocaille taste, by the winding lines of the interrupted fronton and the window that, vertically, produce an exuberant but, at the same time, simple effect. In the other hand, the neoclassic taste marks its presence on the structural rigidity and in some decorative elements like the polls, on the top of the building, strickly neoclassic.

Interiormente apresenta pintura a óleo da autoria de João Ramos, na parte inferior do coro, onde surgem os apóstolos São Pedro e São Paulo, acompanhados por um anjo que, por sua vez, ostenta uma balança. O tecto é em madeira entalhada com pinturas a óleo de temática religiosa. A Santíssima Trindade ocupa o centro do altar-mor, ladeado de dois anjos.

Inside, we can find an oil painture from João Ramos, in the inferior part of the chorus, that show us Saint Peter, Saint Paul and a angel with a balance. The celling is in carved wood with oil paintures alusive to religious themes. The Holly Trinity is in the center of the main altar, surrounded by two angels.

De mencionar ainda o campanário, junto à capela, que ostentou, outrora, o primeiro relógio público da aldeia de Moledo.

At last, a special mention to the tower bell, next to the chapel, that once had the first public watch of Moledo.

Texto e fotografias: Daniel Rosa (2008)
Tradução: Daniel Rosa/Margarida Micaelo

03/09/08

Impressões | Impressions of Moledo

Moledo do Minho

Moledo do Minho
Moledo do Minho
Moledo do Minho
Moledo do Minho
Moledo do Minho

Autoria: Daniel Rosa
Data: Agosto/2008

23/07/08

Capela de Nossa Senhora de ao Pé da Cruz

Capela de Nossa Senhora de ao Pé da Cruz
A Capela de Nossa Senhora de ao Pé da Cruz, outrora detentora da invocação de Nossa Senhora da Piedade, foi erigida com o intuito de acolher a imagem da Virgem que se encontrava exposta numa pequena ermida que ameaçava ruir. Assim, no ano de 1695, os devotos, receosos que a ermida desabasse, decidiram retirar a imagem e colocá-la, temporariamente, na Igreja Matriz de Caminha, enquanto fosse erigido um novo templo para a acolher novamente.

Nossa Senhora de ao Pé da Cruz Chapel, was built with the intention to receive a image from the Virgin, that was exposed in a small chapel almost in ruins. So, in 1695, the believers, afraid with the risk of colapse, decided to remove the image and put it, temporarily, in the Caminha's Church, while a new temple was built.

Após alguns impasses devido a falta de verbas, a capela seria concluída em 1700, sendo encomendada igualmente uma nova imagem da Virgem visto a antecedente ser, segundo rezam as crónicas, de pequenas dimensões, contando apenas com «dois palmos de altura». À encomenda do Padre Gonçalo da Rocha de Morais respondeu o escultor caminhense Domingos Ferreira, sendo a obra escultórica colocada no altar e a antiga depositada na sacristia.

After some money issues, the chapel was concluded in 1700, a new image was ordered because the old one was, like the reports say, of small dimensions. The order was made by Priest Gonçalo da Rocha de Morais and the piece was executed by a sculptur from Caminha named Domingos Ferreira - this is located at the altar and the old one was puted in the sacristy.

A capela, inaugurada e benzida pelo Arcebispo de Braga em 1700 foi profundamente alterada anos mais tarde, conduzindo à espacialidade e ao aspecto que observamos actualmente. A capela apresenta um corpo central, campanário do lado Sul (com escadaria de acesso ao coro) e sacristia anexa do lado Norte, sendo a sua entrada, tal como a entrada lateral para o templo, coberta por um alpendre alargado em 1937.

The Chapel, inaugurated and blessed by the Braga Archebisp in 1700 was deeply transformed years later, resulting in today's appearence.

No interior, a atenção recai sobre os altares laterais e o altar-mor dedicado a Nossa Senhora de ao Pé da Cruz. O espaço prima pelo seu despojamento e simplicidade, tal o seu exterior, delineado por linhas arquitectónicas rígidas e simétricas.

In the interior, our attention is driven to the lateral and main altars. The space is rude and simple, like its exterior, delineated by architectonic, rigid and simetric lines.

Ao longo da sua história, inúmeros devotos, humildes ou com posses, ajudaram na sua conservação e muitas outras oferendas lhe foram feitas devido à adoração de que a mesma é alvo, fruto, segundo rezam as crónicas, dos «inúmeros milagres que tem praticado».

Along its history, several believers, humbles or richs, helped its conservation and made inumerous offerings as a result of the several and important miracles that had been practiced.

02/04/08

Igreja Paroquial de Moledo do Minho

Igreja Paroquial de Moledo do Minho
Igreja Paroquial de Moledo do Minho
A Igreja Paroquial de Moledo insere-se no conjunto de igrejas que sofreram modificações no século XIX. Inicialmente, é datada do séc. XVII, encontrando-se, actualmente, dentro dos cânones decorativos e, em grande parte, estruturais do século XIX.

A planta é longitudinal com nave única e cabeceira rectangular, com telhado de duas águas. Do lado Norte encontramos anexadas duas sacristias – a primeira dando acesso ao corpo da igreja e a segunda à cabeceira – também elas de forma rectangular. Uma torre sineira ergue-se na fachada principal, tendo sido construída no século XIX.

A sua fachada simples e austera na sua decoração, ostenta uma porta rectangular encimada por um dintel liso, erguendo-se dois pequenos pináculos, decorados com motivos vegetalistas, ladeando um frontão curvo interrompido – ornamentado com volutas, e tendo, no meio, uma concha voltada para cima. No nível superior existe uma pequena rosácea em losango decorada com traços curvos e motivos florais. Todo este conjunto é encimado por uma cruz latina austera, que se encontra no telhado.

No interior, podemos contemplar a cabeceira, com um retábulo do século XIX – predominando a azul e o vermelho, com pouca decoração, de gosto neoclássico. Separando o corpo da igreja vemos um arco cruzeiro decorado com linhas curvas, em granito. Ao longo do corpo da igreja, do lado do Evangelho podemos admirar dois retábulos – um em honra de Santo António e outro dedicado a Nossa Senhora de Fátima – enquanto que no lado da Epistola, existem os retábulos dedicados ao Sagrado Coração de Jesus e ao Imaculado Coração de Maria, todos eles do século XIX. Também do lado da Epistola, encontra-se o retábulo das Almas (Altar das Almas), datado do século XVII, e sendo a evidência mais clara que a igreja é do mesmo século. Todos os retábulos, com excepção ao Imaculado Coração de Maria, encontram-se envolvidos por um arco de meia volta, tendo caixotões decorados com florões no intradorso, e com uma cartela, ao gosto barroco, no fecho, exibindo o símbolo dos patronos titulares.
Autoria do texto: Laurent Fernandes (Historiador de Arte) / 2008
Fotografias: Daniel Rosa / 2007

27/03/08

AMIR: Breve História

AMIR Velho de Moledo
No primeiro dia do ano de 1933, inaugurou-se a sede da Associação Moledense de Instrução na Avenida Doutor Dantas Carneiro, ainda existente mas devoluto, tendo passado a associação para o actual Centro Cultural de Moledo do Minho, junto à Junta de Freguesia. Remetendo ainda aos primórdios, nos anos de 1934-35 chegaram a existir duas associações, ditas "rivais": uma que se apelidava de "Assembleia", formada pelos veraneantes, funcionando apenas nos meses de Verão, e outra designada de "Casino", formada pelos moledenses.


Nesta curta disputa, acabaria por subsistir apenas uma associação, a dos moledenses, tendo-se dado início à edificação de um "Casino" na Avenida Engenheiro Sousa Rêgo (onde se situa actualmente o Bar P'ra Lá Caminha), que substituiria a, então, actual sede. O imóvel nunca chegaria a ser concluído, por falta de verbas, pelo que se trata de um projecto inacabado e não de "ruínas" como muitas vezes é, erradamente, designados os alicerces e algumas paredes que ainda hoje persistem. O autor do risco terá sido João Porto, natural de Vilar de Mouros.


O fracasso do projecto não abrandaria a actividade da Associação, mantendo a sua sede na Av. Dantas Carneiro, que continuaria com os seus bailes e espectáculos de teatro proporcionados por amadores. Inclusive, naquele edifício actualmente degradado e prestes a ser devorado pela própria natureza, embuído como que num espírito romântico, António Pedro, chegado a Moledo em 1950, encenou a peça "Leão da Estrela" (da autoria de Ernesto Rodrigues, Félix Bermudes e João Bastos), trabalhando na mesma o nosso conterrâneo Manuel Guardão, um dos grandes impulsionadores da actividade da Associação e, porque não dizê-lo, defensor dos interesses de todos nós Moledenses.


As décadas de 40 e 50 foram prósperas em espectáculos de teatro e bailes, muito graças a ilustres mas humildes Moledenses, como o já citado Senhor Manuel Guardão, mas também devido ao vasto legado teatral existente em Moledo, já desde o Teatro que lá existiu, de nome "Afonso", inaugurado em 1884 pela então designada "Sociedade dos curiosos da freguesia". O rasto do Teatro Afonso perde-se na década de 20 do século XX, pelo que, a constituição da AMIR foi uma medida feliz, mantendo-se a tradição teatral e recreativa nesta aldeia.

17/03/08

Capela Privada de Santa Teresa | Santa Teresa Private Chapel

A Capela privada de Santa Teresa deveria ser, pela sua singularidade e erudição arquitectónica, um lugar de paragem obrigatória em Moledo do Minho. Não o é evidentemente por se tratar de um templo privado, ao qual o mero indivíduo não tem acesso, mas também pela falta de informação que existe acerca do mesmo. Convido assim o leitor a seguir estas linhas e descobrir a real importância e a tão peculiar particularidade desta capela.



Em jeito de contextualização histórica, a mesma insere-se, quer temporalmente quer estilisticamente, no período barroco, séc. XVIII, tendo sido concluída no ano de 1749 na Quinta das Pereiras, freguesia de Argela, após a petição de 7 de Janeiro de 1748, onde um senhor de nome João Pereira e Silva apelava ao rei a autorização para erigir a mesma, alegando a distância que a sua residência se encontrava da igreja paroquial, impossibilitando a sua família de assistir aos actos de culto. Nos inícios do século XX, em 1903, a mesma viria a ser transferida para a propriedade do engenheiro Álvaro de Sousa Rego, em Moledo do Minho, local onde se encontra até aos dias de hoje.

Num primeiro olhar denotamos de imediato o seu despojamento e rigidez, igual a tantas outras capelas do Concelho de Caminha. Qual a sua particularidade então? É isso mesmo que irei desdobrar de seguida.



Remontando-nos ao século XVIII, tempos em que a arquitectura barroca se afirmava nas principais cidades do Norte do país, existiram, efectivamente, dois pólos que se distinguiam estilisticamente e viriam a influenciar toda a arquitectura religiosa que proliferaria à volta dos mesmos. Assim sendo, temos o pólo portuense e o bracarense, tendo o primeiro como figura principal o arquitecto/cenógrafo italiano Nicolau Nasoni e o segundo a figura de André Soares.

Toda a arquitectura minhota, erigida neste espaço de tempo, viria a ser influenciada, por uma questão de proximidade, pela arquitectura barroca bracarense. Enquanto que a portuense se regia sobretudo pelos tratados de arquitectura oriundos de Itália – com especial incidência para o de Andrea Pozzo – onde os arquitectos retiravam os cânones/moldes a aplicar a cada elemento arquitectónico – janelas, portas, remates, etc. –, a bracarense viria a assumir um carácter mais regionalistas, conjugando os moldes da arquitectura barroca italiana, de racionalidade e cenografia assente nos citados tratados, com elementos de originariam um estilo mais característico e peculiar. Assim, e a título de exemplo, podemos observar isso mesmo em Viana do Castelo, na Capela das Malheiras, da autoria de André Soares, de grande aparato cenográfico, onde os motivos decorativos proliferam e os jogos de avanços de recuos das suas formas arquitectónicas atribuem uma maior dinâmica e, digamos, movimento à fachada do templo. A sobreposição de camadas, observável quer a nível dos vãos quer no que respeita ao remate, aliado à turbulência das suas formas de linhas contracurvadas, é uma característica vital deste pólo.

A título de resumo temos então uma arquitectura barroca portuense mais racional e rígida, ainda que emanando um profundo sentimento cenográfico através dos seus motivos decorativos, e uma bracarense – e consequentemente minhota – mais, diríamos, inventiva e regionalista. Assim sendo, a arquitectura barroca do Alto Minho seguiria os cânones e influências que naturalmente lhe chegariam de Braga. Dito isto, qual a particularidade da Capela privada de Santa Teresa?

Observando a arquitectura do século XVIII do Concelho de Caminha, poucos são os exemplares que apresentam alguma erudição, ficando-se pela mera inclusão de alguns pormenores de sobreposição de camadas a nível dos vãos de iluminação que encimam a entrada dos templos. Olhando agora para a citada capela, podemos constatar e afirmar que o seu portal foi claramente influenciado pelo pólo portuense. Mais: o mesmo foi projectado de acordo com os modelos apresentados no tratado de Andrea Pozzo, que tanto influenciou a arquitectura barroca portuense. Trata-se assim de uma capela isolada geograficamente, extremamente próxima das influências portuenses, denotando uma grande erudição na sua concepção, fugindo claramente aos moldes do pólo bracarense. A curiosidade da mesma estabelece-se nos seguintes parâmetros: o arquitecto que a concebeu era perfeitamente consciente da tratadística e da obra realizada por Nicolau Nasoni no Porto. Agora trata-se de vos reportar para o século XVIII, tempos em que a comunicação e a transmissão de gravuras não eram, de forma alguma, como nos tempos de hoje.

Assim sendo, o conhecimento acerca daquilo que se fazia no Porto em termos de arquitectura, chegaria muito tardiamente aos arquitectos ou mestres pedreiros do Alto Minho. O mentor do projecto da capela de Santa Teresa, desconhecido até aos dias de hoje, foi, na melhor das hipóteses, alguém oriundo do Porto – só aí teria contacto com a realidade portuense e disponibilidade para consultar os tratados de arquitectura, apenas lá disponíveis.

Muitas questões se levantam: como chegou a uma freguesia tão remota como Argela – e mantenham em mente que nos encontramos no século XVIII – um arquitecto oriundo da escola do Porto? Qual a razão de adoptar os moldes portuenses e não bracarenses, tendo estes últimos marcado tão profundamente a arquitectura barroca do Alto Minho? São algumas questões que ficaram por responder. O que fica aqui afirmado é que se trata de um caso isolado e por isso digno de especial atenção. Tudo na sua fachada emana o perfume portuense: o já citado portal, de grande erudição, a janela que o encima, polilobada, característica marcadamente nortenha, ou a usual concha tão característica da tratadística italiana.

Como caso único, deve ser olhada com especial atenção e ser-lhe dada a devida importância, não sendo devota ao esquecimento por quem por ela passa. É definitivamente uma jóia da arquitectura barroca do Concelho de Caminha e passível de visita.

13/03/08

História do Forte da Ínsua | Ínsua History

A Ínsua, indissociável da paisagem de Moledo do Minho, é uma pequena ilha rochosa situada a sudoeste da costa portuguesa, distanciada cerca de 200m, pertencente à freguesia de Cristelo. Esta pequena ilha já era conhecida pelos romanos, pois Estrabão a ela se refere ao descrever a foz do rio Minho.

Tudo leva a crer que anteriormente à fundação do convento tenha aí existido um local de culto que os portugueses conheciam por Sta. Maria da Ínsua, e os espanhóis designavam por Sta. Maria de Carmes, o qual poderá ter tido origem em algum altar de sacrifícios utilizado antes da expansão do cristianismo. Esta ermida tinha um ermitão e a sua festa realizava-se a 8 de Setembro.

Com o Cisma do Ocidente em 1378, o Reino de Castela encontra-se do lado do Papa de Avignon, Urbano VI, enquanto que alguns religiosos asturianos e galegos conseguem a autorização de Bonifácio IX, a 6 de Abril de 1392, para se instalarem em Portugal. No caso de Caminha foram os franciscanos da observância menorita, nomeadamente Frei Diogo de Árias, que fundou o convento de Sta. Maria da Ínsua que obras do convento iniciaram-se no mesmo ano.


Em 1441 os religiosos do convento ficam isentos de tributos relativos à casa que tinham na vila, em Caminha, e é-lhes concedido o direito da recolha da concha, que servia para o fabrico de cal dos franciscanos. Estes e outros direitos que lhes vieram a ser concedidos, embora que sempre contestados por varias entidades, mas sucessivamente confirmados pelo poder politico e pelo poder régio.

Em 1448 são concedidos novos privilégios por D. Afonso V, e em 1464 faz mercê do senhorio de Caminha a D. Henriques Menezes. Mais tarde em 1471, e após ter tido por algumas vezes apenas dois frades a viver no convento, têm lugar as primeiras obras de reedificação, visto que o convento não reunia as condições adequadas para se viver, mesmo fazendo apologia à filosofia de pobreza Franciscana. Estas obras consistiram na construção de novas celas e na melhoria da capela e da casa. Após esta data dá-se uma grande projecção do convento, com a entrada de muitos religiosos, entre os quais Frei André da Ínsua que chegou a ser Geral da Ordem. No mesmo período, testemunhando uma época de prosperidade e de grande apoio, o convento recebeu a visita dos senhores de Caminha, o governador de Ceuta, e a própria família real.




Em 1580, numa atitude de apoiar a causa filipina, a armada galega ocupa o convento. Mais tarde em 1602, o convento é atacado por corsários Ingleses sendo novamente saqueado em 1606 por piratas Luteranos de La Rochelle. Na sequência destes ataques, muitos religiosos abandonaram o convento, e em 1623 regista-se que o convento teria apenas dois frades.

O ano de 1618 é marcado pelo início da construção de um outro convento para os frades na vila de Caminha, que termina em 1631 – o convento construído para os frades franciscanos ainda hoje existe, pertencente à Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, designado como convento de Sto. António – originando uma época de quase inexistência da actividade no convento da Ínsua, que viria a ser de imediato retomada por solicitação do duque de Caminha, D. Miguel Menezes, e do próprio povo caminhense. Após a restauração, e na sequência da conspiração contra D. João IV perpetrada pelo Marques de Vila Real, este é executado em 1641, ao lado do seu filho. O senhorio da vila de Caminha e o convento passaram assim à tutela da casa régia portuguesa.

Entre 1649 e1652 tem lugar a construção do Forte sob ordem de D. Diogo de Lima, Governador das Armas da Província do Minho, com a função de proteger a entrada da barra do rio Minho e também proteger o próprio convento de outros ataques por corsários. Assim inicia-se a longa e difícil coexistência entre os frades e os soldados.




Em 1676 o convento sofre, novamente, obras de reedificação com a construção em piso elevado de dormitório com cinco celas, até a esta data o convento era térreo. Pouco anos depois, em 1717 D. João V oferece 200$000 reis para reedificação da igreja, com tecto de abóbada de pedra e coro alto, obras estas que só ficam concluídas em 1767 quando se fazem novas celas, sala do capítulo e retábulo do altar.

Após a revolução francesa e com a eminência de guerra o Forte sofre obras de reparação e o convento uma pequena remodelação, entre 1793 e 1795, os franciscanos abandonam provisoriamente o convento. Durante as invasões francesas o Forte foi ocupado pela armada espanhola. Anos mais tarde, em 1834 as ordens religiosas foram extintas e o convento é integrado no património nacional, enquanto que o Forte continuou sob a alçada dos militares até ao ano de 1940, quando o Ministério da Marinha entrega o Forte ao Ministério das Finanças.

Entre 1954 a 1957 o convento sofre obras de conservação. Reconstrução de um rombo no lado sul da muralha, telhados e paredes do corpo do antigo convento. Construção de duas portas nas entradas. Mais tarde, em 1967 a 1975 reparação de telhados e caixilharia e trabalhos de restauro e consolidação. Conservações: reparação geral dos telhados da igreja e consolidação dos elementos existentes no claustro. Na década seguinte – 1984 a 1986 – dá-se lugar um melhoramento das coberturas e muralhas. Finalmente em 1998 até 2001 diagnóstico do Instituto Português Arquitectónico para a conservação e consolidação dos paramentos das fortificações. Conservação e consolidação dos paramentos do Forte, reparação das patologias provocadas pela agressividade do meio ambiente marítimo, consistindo na consolidação de panos de muralha (recalcamento e coroamento); reconstrução e preenchimento de lacunas coroamento da muralha; limpeza e das juntas e consolidação destas. Limpeza de vegetação.

Texto: Laurent Fernandes (Historiador de Arte)

06/03/08

Casa de António Pedro

Notas Biográficas
António Pedro (1909 - 1966)

Artista plástico e escritor português, natural da Cidade da Praia, Cabo Verde. Durante a sua formação universitária, frequentou as Faculdades de Direito e de Letras da Universidade de Lisboa, tendo ainda ingressado no Instituto de Arte e Arqueologia da Sorbonne, em Paris. Revelando desde cedo a multiplicidade dos seus interesses, que o iriam levar, ao longo da vida, a ligar-se a diversas actividades na esfera cultural, António Pedro dedicou-se à pintura, nas décadas de 30 e 40, e à cerâmica, a partir de 1950, altura em que se retirou para Moledo do Minho, aí vivendo até ao final da sua vida.

A sua obra plástica e literária é marcada significativamente pelo surrealismo. António Pedro participou activamente no Grupo Surrealista de Lisboa, a partir de 1947, dando origem a obras de feitura colectiva (o cadavre exquis, prática estabelecida pelos pintores surrealistas franceses). António Pedro expôs pela última vez, com o grupo surrealista, em 1949. Nesse mesmo ano passou a dirigir o Teatro Apolo. No ano seguinte, começou o seu envolvimento mais pleno na actividade teatral, como director, figurinista e encenador do Teatro Experimental do Porto, actividades que desenvolveu entre 1953 e 1961. Paralelamente, dedicou-se a um trabalho teórico como ensaísta e crítico de arte. Tendo produzido regularmente crónicas para a BBC, em Londres, na década de 40 (actividade que o levaria a contactar com o grupo surrealista inglês), fundou a revista Variante e colaborou com outras publicações periódicas, como Unicórnio, Mundo Literário e Aventura. A sua produção literária repartiu-se por diversos géneros. Como poeta, publicou Os Meus Sete Pecados Capitais (1926), Ledo Encanto (1927), Distância (1928), Devagar (1929), Máquina de Vidro (1931), Primeiro Volume De Canções e Outros Poemas (1936), 15 Poèmes au Hasard (1936), Onze Poemas Líricos de Exaltação e Folhetim (1938) e Casa do Campo (1938).
A sua produção literária mais marcada pela prática surrealista inclui textos como «Apenas uma Narrativa» (1942) e «Protopoema da Serra d'Arga» (1948). Participou ainda em produções colectivas, na altura em circulação através de edições impressas como Contraponto e Antologia (1958), Afixação Proibida (1953) e Antologia Surrealista do Cadáver Esquisito (1961, organizada por Maria Cesariny de Vasconcelos). Como dramaturgo, António Pedro deixou publicadas Desimaginação (1937), Teatro (1947) e Andam Ladrões Cá em Casa (1950), a que se juntaram algumas obras teóricas como Pequeno Tratado de Encenação (1962).

A sua obra de pintura, em grande parte desaparecida no incêndio que destruiu o seu atelier, encontra-se representada no Museu do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian.

Informações Úteis | How to get there and where to stay

Como chegar
How to get there

Comboio: desde o Porto, comboio em direcção a Valença/Vigo (Estação "Moledo do Minho"; estações próximas "Vila Praia de Âncora" e "Caminha").
By train: from Porto, direction "Valença/Vigo" (exit in "Moledo do Minho" or other near stations like "Vila Praia de Âncora" or "Caminha")
Trains and timetables in:
http://www.cp.pt/

Autocarros: directos do Porto até Caminha (vila que dista 3 km de Moledo do Minho)
By Bus: directly from Porto to Caminha (distance from Moledo, 3 km)
http://www.avic.pt/
(see "Transportes/Expressos"; daily buses fom Lisbon and Oporto to Caminha)

Carro: do Porto através da A28; de Tui (Espanha)/Valença do Minho pela N13 - saída Moledo do Minho
GPS: N 41º 50' 58,68'' , W 8º 52' 0,18''
By Car: from Oporto take the A28; from Tui (Spain)/Valença do Minho take the N13 - exit Moledo do Minho

Aeroportos próximos: Vigo (Espanha) e Aeroporto Sá Carneiro (Porto)
Near Airports: Vigo (Spain) and Aeroporto Sá Carneiro (Oporto)


Onde ficar
Acommodation

Hotel Porta do Sol****, Caminha
+351 213 300 541
reservas@hotelportadosol.eu

Pensão Residencial Galo de Ouro , Caminha
Hostel
Tel: +351 258 921 160

Pensão Residencial Arca Nova, Caminha
Hostel
Tel: +351 258 721 590

Parque de Campismo do Camarido, Caminha (Foz)
Camping Park
Mata do Camarido
Tel: +351 258 921 473

Aldeamento Turístico do Camarido (Cristelo/Caminha)
Tel.: +351 258 722 130
Mata do Camarido, Lugar da Joaninha
1km to Moledo beach
http://aldeamento.no.sapo.pt/


Onde comer
Where to eat

Bar P'ra lá Caminha, Moledo do Minho (recommended)
"Slow-food" concept - snacks (hot and cold sandwichs), light meals (including salads, pastas) and composed meals.
Avenida 25 de Abril (facing the beach)
9:30am to 3:00am
Tel: +351 258 722 606

Restaurante "O Palma", Moledo do Minho
Restaurant
R. Manuel Afonso
Tel: +351 258 922 839


Moledo do Minho: Introduction

Moledo do Minho é uma pequena aldeia a Norte de Portugal, mais conhecida pela sua reluzente praia enquadrada num cenário de sonho. Se encararmos o mar, a nossa vista tanto se perde na sua imensidão como se depara com a fortaleza e antigo convento da Ínsua (onde a lenda conta que existiria um templo erigido em honra de Saturno) ou o longínquo Monte de Santa Tecla (Espanha). Como que amparando as nossas costas surge a montanha, ideal para caminhadas ou passeios de bicicleta, que combinam a harmonia da natureza à vista panorâmica sem comparação.

Moledo do Minho is a small village in the North of Portugal, mostly known by its wonderfull beach framed in a dream scenario. If we face the sea, our view cannot only be taken away in the immensity of the ocean but also we immediatly notice the ancient Insua's convent and fortress (where the legend tells that existed a temple in honor of Saturn) or the distant Santa Tecla's mountain (Spain). In the other hand, our back are embrassed by the mountain, ideal for walking or bike riding, that mix nature's harmony with a splenderous panoramic view.

Pode visita-la durante o Inverno, usufruindo dela como um refúgio, onde a calma e o silêncio - somente quebrado pelas ondas do mar - são a melhor terapia para revigorar corpo e mente. Moledo do Minho é muito frequentada nos meses de Verão, quer por portugueses ou estrangeiros, que aqui se deslocam para usufruir da praia, praticar windsurf/kitsurf ou simplesmente, para relaxar. Inúmeros bares - para todos os gostos - abrem nestes meses, proporcionando um enorme leque de opções consoante a sua disposição. Diversão nocturna garantida!

Can be visited during the Winter, enjoying it as a refuge, where the calm and the silence - only breaked by the waves - are the best therapy to recover your body and soul. Moledo do Minho is very crowded during the summer months, not only by portuguese people but also by foreigns, that choose this beach to relax and enjoy the multiple sports that we can practice here, such as windsurf and kitsurf. Pleanty of bars - for every taste - are open during the summer, offering a huge range of options depending on your mood. Nightlife party granted!

Mas Moledo não é apenas praia, paisagem ou diversão - é história, rica em tradições e costumes que se mantêm há décadas, lendas e património que merece certamente uma especial atenção. Os interessados numa visita mais cultural não ficarão, de forma alguma, desapontados!

But Moledo its not only beach, landscape or fun - it's History, rich in traditions and costumes that are kepted since ages, legends and heritage that certanly deserve a special attention. For those who are interested in a more cultural visit will not be, in any way, disappointed!

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O que ver e fazer | Must See & Must do

Praia e sua paisagem
(ideal, por ser ventosa, para a prática de windsurf e kitsurf)
Beach and landscape
(this windy beach is ideal to practice windsurf and kitsurf)

Forte e Convento da Ínsua
Antigo convento do século XV
Ínsua's Fortress and Convent
Ancient convent from the fifthteen century

Capela Privada de Santa Teresa
Estilo Barroco (século XVIII)
Santa Teresa Private Chapel
Baroque (eighteen century)

Casa de António Pedro (Pintor surrealista Português)
António Pedro House (important surrealistic painter)

Igreja Paroquial e o seu famoso Painel das Almas
Neoclassica (século XIX)
Church and the famous "Painel das Almas" (sculpture panel)
Neoclassic (nineteen century)

Capela Nossa Senhora de ao Pé da Cruz
Nossa Senhora de ao Pé da Cruz Chapel
Estilo Barroco/Neoclássico; Início Século XVIII
Baroque/Neoclassic; Early XVIII century

Capela de Santo Isidoro
Neoclássica (século XIX)
Religious architecture, neoclassic (nineteen century)

Mapa | Map